Print de conversa vale como prova? O que ele não consegue dizer sobre si mesmo
Pode ser juntado. A pergunta útil é outra: ele aguenta quando a outra parte contesta? Aí o print fica frágil, e o motivo é simples de enunciar e difícil de contornar. Um print não consegue dizer de onde veio nem se continua igual ao que foi capturado.
Ele mostra uma tela. Quem olha vê o que a imagem mostra, e nada sobre o que ela não mostra: o que vinha antes, o que vinha depois, se a tela é de um aparelho ou de uma cópia, se a imagem foi recortada ou montada. São as mesmas três perguntas que chegam em qualquer contestação de documento digital, e uma imagem não responde sozinha a nenhuma delas.
As três perguntas que um print não responde
Quando um documento digital é contestado, as perguntas são sempre as mesmas três: de onde veio, está completo, e mudou depois de gerado?
Um print não responde à primeira, porque uma imagem não nomeia a fonte dela. Não responde à segunda, porque o recorte é a natureza da coisa: você fotografou o que caberia na tela. E não responde à terceira, porque imagem se edita com ferramenta que todo mundo tem no celular, e a própria imagem não tem como afirmar que não foi editada.
Isso não quer dizer que um print seja inútil. Quer dizer que ele depende de outra coisa para sustentar o que afirma: o seu depoimento, o aparelho, a outra parte não negar, ou um terceiro com fé pública tendo visto.
Por que “eu tenho o celular aqui” ajuda menos do que parece
Porque o aparelho na audiência mostra a conversa de hoje, e a discussão é sobre o que estava lá naquele dia. Entre uma coisa e outra pode ter havido atualizações, mensagens apagadas, conversas arquivadas e troca de telefone. O aparelho é um bom complemento e um mau documento: não é paginado, não é datado e não pode ser conferido por quem não está com ele na mão.
E tem o caso que ninguém planeja: o telefone é da empresa, ou quebrou, ou foi trocado, ou a conversa já não está mais nele.
O que dá para fazer para o seu print aguentar mais
Capture a conversa inteira, em sequência, e não um trecho. Print recortado é a objeção mais fácil de levantar do outro lado. Tela cheia, com o topo da conversa aparecendo, e os horários visíveis.
Não passe a imagem por editor nenhum, nem para apagar um dado pessoal, nem para destacar em amarelo. Anotação abre a pergunta sobre montagem. Se algo precisa ser destacado ou tarjado, quem decide como é o seu advogado, e o lugar disso é o texto da peça, não a imagem.
Guarde o original, com a data do arquivo. A imagem que saiu do celular, sem reencaminhar por aplicativo que recomprime, sem copiar para documento do Word e apagar a original.
Guarde o aparelho, se ainda for seu, e não limpe a conversa depois de printar.
Nada disso transforma um print em documento que se explica sozinho. Deixa ele menos fácil de atacar, o que é diferente, e vale a pena porque às vezes é tudo o que existe.
A alternativa: um documento que responde às três perguntas
Uma exportação chega no processo com as três respostas nas primeiras páginas, e é nisso que a diferença está.
A folha de rosto nomeia o arquivo de origem e imprime o hash SHA256 dele, então o documento não
diz ter lido um celular: diz ter sido feito daquele arquivo específico. A página de integridade
conta também o que ficou fora, incluindo as mensagens fora do período escolhido. E ao lado do
documento vai um arquivo .sha256, que é o hash do próprio documento, para quem recebe conferir que
nada mudou no caminho, no navegador ou com um comando, na página
Verificar um documento.
Existe ainda a diferença de conteúdo: a conversa inteira, com data e hora em cada mensagem e quem enviou. No caminho do backup de iPhone a Visão Judicial imprime também o número ao lado do nome, porque em matéria de prova é o número que identifica, enquanto o print mostra o apelido que está na sua agenda. Em um arquivo de exportação do WhatsApp não há número: os nomes são os que estavam na agenda de quem exportou, e o documento diz de qual arquivo eles vieram.
O importante: o que sustenta a peça não é o PDF, é a origem. Guarde o backup ou o arquivo que o WhatsApp gerou, intacto. É a partir dele que qualquer pessoa refaz a exportação e compara, e é essa repetição que convence, não o hash em si.
Quando o print é o que você tem, e pronto
Acontece, e nesse caso a melhor decisão é dizer ao seu advogado o que o print é e o que ele não é.
A conversa foi apagada, o telefone não é mais seu, o grupo sumiu, a outra parte bloqueou você antes de você pensar em exportar. Em todas essas situações não existe fonte para exportar, e nenhum programa lê o que não existe mais. Um print antigo, honestamente descrito, com as circunstâncias de quando foi feito, é um elemento. Só não é o elemento que responde às três perguntas.
Se a conversa ainda existe em algum lugar, aí a ordem certa é outra: exporte primeiro, depois continue com os prints se quiser. Os dois caminhos estão em Como exportar conversa do WhatsApp em PDF, para WhatsApp de iPhone ou de Android, e em Mensagens como prova na Justiça, que trata do que a Justiça faz com o documento depois.
Perguntas frequentes
Print vale como prova?
Vale como elemento, e é avaliado junto com o resto do processo, caso a caso. Ninguém, programa ou site, pode prometer que ele será aceito nem quanto vai pesar. O que se sabe é onde ele é frágil: origem, integridade e completude, que são justamente as perguntas que chegam em contestação.
Preciso de ata notarial para um print?
Se o seu caso precisa de ata notarial, quem responde é o seu advogado. O que dá para dizer aqui é que a ata acrescenta ao print exatamente o que falta nele, um terceiro com fé pública dizendo o que viu, e que a comparação inteira entre as duas coisas está em Ata notarial de conversa do WhatsApp.
É uma discussão trabalhista. Muda alguma coisa?
Muda o que você junta e em que período, e isso está tratado à parte, em WhatsApp como prova trabalhista. Sobre o print em si a resposta é a mesma: ele é um elemento, e é frágil exatamente nas três perguntas acima.
E se acusarem o meu print de montagem?
Aí a discussão sai da imagem e vai para o que existe em volta dela: o aparelho, o arquivo original, a conversa no aparelho da outra parte, o depoimento. É por isso que a origem importa mais que o formato. Um documento exportado tem a vantagem de apontar para um arquivo específico que pode ser lido de novo por qualquer pessoa.
Print do WhatsApp Web é melhor que print do celular?
Não muda a natureza da coisa: continua sendo uma imagem de tela, com as mesmas três perguntas sem resposta. A tela grande deixa capturar mais mensagens por print e diminui o recorte, o que é uma melhora de grau, não de categoria.
Exportar é sempre melhor do que printar?
Para uma conversa que precisa aguentar contestação, sim, e a razão é a origem nomeada. Para mandar três mensagens para alguém agora, o print é o mais rápido que existe e ninguém deveria complicar isso.
Isto não é orientação jurídica. O texto descreve onde um print é frágil e o que um documento pode dizer sobre si mesmo, não o que a Justiça vai fazer com nenhum dos dois. O ChatExport reproduz o conteúdo de um backup ou de um arquivo de exportação, sem prometer nada sobre aceitação. Pergunte ao seu advogado o que o seu processo exige.