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Ata notarial de conversa do WhatsApp: o que o cartório constata e o que você leva pronto

Publicado em 17 de setembro de 2026 · Krzysztof Kowalski

Não, uma exportação não substitui a ata notarial, e a pergunta mais útil é outra: o que cada uma das duas põe no processo que a outra não põe.

O cartório põe uma testemunha com fé pública. A exportação põe um documento que aponta para um arquivo específico e diz o que foi lido dele. Quem decide se o seu caso precisa do cartório é o seu advogado; o que esta página faz é mostrar como as duas coisas se encaixam, para você chegar lá com o material certo em vez de com um print no celular.

O que a ata notarial faz e nenhum programa faz

Ela põe uma autoridade pública dizendo “eu vi isto”. É um terceiro, sem interesse na causa, declarando o que apareceu na tela na frente dele, no dia em que apareceu. Nenhum software tem isso para oferecer, por melhor que seja o documento que ele gera, porque o que falta não é técnica: é a fé pública.

Daí porque “usar o programa em vez do cartório” não é uma escolha entre iguais: uma camada diz o que foi constatado, a outra diz de onde o conteúdo veio e se mudou depois de gerado.

O que uma exportação resolve antes de o cartório entrar

As três perguntas que chegam em contestação: de onde veio, está completo, e mudou depois de gerado?

Um documento exportado responde às duas primeiras na folha de rosto, porque ele nomeia o arquivo de origem e imprime o hash SHA256 dele, em vez de dar a entender que alguém leu um celular. A página de integridade acrescenta o que ficou de fora do documento: o período que você escolheu, as linhas de sistema que o arquivo do WhatsApp traz e que não são mensagens, contadas em vez de sumirem, e as mensagens que você mandou esconder por uma palavra, com essas palavras impressas em seguida. Na Visão Judicial esconder por palavra não existe, justamente porque um documento de prova não pode perder conteúdo para uma palavra que ninguém pode auditar.

A terceira pergunta é respondida pelo arquivo .sha256 que aparece ao lado do documento. Origem e integridade são afirmações separadas, e ficam em lugares separados de propósito. Quem recebe pode conferir na página Verificar um documento, no navegador ou com um comando só.

O que isso muda na conversa com o cartório é prático: em vez de pedir ao tabelião que descreva uma conversa inteira na tela, você chega com um documento que se explica e com a fonte dele na mão.

O que faz sentido levar na pasta

Como o tabelião vai conduzir o ato é decisão dele. O que está na sua mão é chegar com o material completo em vez de meio:

  1. O documento na Visão Judicial, impresso ou em PDF, com a folha de rosto e a página de integridade, que é onde estão o nome do arquivo de origem e o hash.
  2. O arquivo de origem, intacto. O .zip (ou o .txt) que o WhatsApp gerou, do jeito que veio. É dele que qualquer pessoa refaz a exportação e compara.
  3. O arquivo .sha256 que fica ao lado do documento.
  4. O aparelho, se ele ainda for seu e ainda tiver a conversa. É o que permite constatar a mesma coisa em dois lugares: na tela e no arquivo.

O terceiro item é o que fica esquecido na gaveta. Quem recebe só o PDF não consegue conferir nada, e mandar o hash depois, quando alguém já reclamou, é a ordem que tira o valor dele. O que convence não é o hash: é a outra parte poder refazer a exportação a partir do mesmo arquivo e chegar ao mesmo documento.

Por que este site não publica o valor da ata

Porque quem cobra é o cartório e não nós, e não há como verificar daqui o que a serventia perto de você vai cobrar. Qualquer número aqui seria chute com aparência de informação, e este é um assunto em que um número errado faz alguém desistir ou se planejar mal. Pergunte no cartório e ao seu advogado.

Quando a exportação sozinha costuma bastar, e quando não

A exportação sozinha resolve bem a situação em que ninguém está negando que a conversa existiu, e a discussão é sobre o que foi dito: um combinado de horário, um valor, um prazo, uma instrução. Ali o documento completo e datado faz o trabalho, e o que sustenta a peça é você ter guardado a fonte.

Onde a exportação sozinha fica curta é quando a autenticidade em si é o campo de batalha, ou quando a conversa está só no aparelho de outra pessoa, ou quando o conteúdo pode desaparecer antes da audiência. Nesses casos existe uma diferença que nenhum programa cobre: alguém com fé pública precisa ter visto. Se é o seu caso, é o escritório que decide, e a decisão é anterior à escolha de qualquer software.

Perguntas frequentes

Preciso das duas coisas?

Depende do que está sendo contestado, e a pergunta é para o seu advogado. O que este site pode dizer é que as duas não brigam: a exportação é o material sobre o qual a constatação acontece, e uma ata notarial não deixa de fazer sentido porque existe um PDF bem feito, nem vice-versa.

O tabelião pode constatar o arquivo em vez da tela?

Isso é decisão dele e da serventia. O que a exportação faz é deixar as duas possibilidades abertas, em vez de só uma: o documento nomeia o arquivo de origem com o hash dele, então existe algo concreto para ser conferido ao lado do aparelho.

A ata notarial garante que o juiz aceite?

Não, e desconfie de quem prometer isso, software ou não. Quem avalia é o juiz, caso a caso, junto com o resto do processo. O que as duas camadas fazem é chegar com as objeções mais comuns já respondidas, o que é diferente de garantia.

Serve para mensagem apagada?

Não. O arquivo de exportação contém a conversa como ela estava no momento em que foi gerado, e o que foi apagado antes dele não está lá. A janela de cerca de trinta dias do apagado recente, a partir do iOS 16, é do outro caminho, o do backup do iPhone, e vale para SMS e iMessage, não para o WhatsApp. O contexto está em Mensagens como prova na Justiça.

E se a conversa está no celular da outra parte?

Aí não há exportação possível do seu lado, e nenhum programa muda isso. Essa é uma conversa sobre produção de prova no processo, e é do escritório. O que dá para fazer hoje é preservar bem o que está no seu aparelho.


Isto não é orientação jurídica. O texto descreve o que um documento pode dizer sobre si mesmo e o que a exportação não é, não o que a Justiça vai fazer com ele. O ChatExport reproduz o conteúdo de um backup ou de um arquivo de exportação, sem prometer nada sobre aceitação. O que o seu processo exige, e se ele exige cartório, pergunte ao seu advogado. O contexto inteiro, com a contestação que chega de verdade, está em Mensagens como prova na Justiça.